#PHpoemaday – #Dia06 – #OmolhodeChaves

Era uma quinta – feira chuvosa.

Lá na vila  Sudão ficava tudo lameado quando chovia,  porque as ruas não eram pavimentadas.

O último prefeito até prometeu colocar asfalto, mas não asfaltou não… Ficavam mesmo no lamaçal quando chovia e na poeira quando estiava.

Pereirinha era o chaveiro do lugar e todo mundo que precisava de chaves o procurava e ele exercia bravamente o seu ofício, que apesar de mal remunerado, conseguia pagar o aluguel do barraco e também comprar a comida do mês. Para luxo o dinheiro não dava não… então ele era realmente paciente… Era um homem calado, misterioso e muito solitário… mas não reparavam muito nele não… Passava despercebido. No fundo, no fundo, era isso que ele queria.

Nesse fatídico dia, porém, essa senhora apareceu… Nunca ninguém da vila tinha a visto  por ali… e ela com seu andar marcante e elegante, parecia pairar sobre a lama,  seu olhar forte e penetrante, metalizado pelas gotas da chuva,  aproximou-se do seu bianguinho e sem falar uma única palavra entregou o molho de chaves na mão do homem que apesar de atônito segurou fortemente, pois enfim o grande dia chegou.

O dia que ele sempre esperou, aconteceu.

Pereirinha sabia exatamente o que fazer quando a mulher finalmente deu as costas e desapareceu. O brilho do seu olhar dizia tudo…

Renata Amemiya

 

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